terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

DESALENTO




A gente vem caminhando pela vida, cai, levanta e cai de novo... 

Alguns tombos são assistidos por alguém, embora nem sempre possa nos amparar o baque ou ajudar a levantar.
 Outros são tropeços solitários, momentos de frustração ou perdas subjetivas de coisas cujo valor somente nós temos consciência real.


Tem gente que faz pouco de nós, quando caímos. Mas como disse Shakespeare: “...não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam”. 



Às vezes falta fôlego, ânimo, coragem, resistência e temos a impressão de que é o “fim da estrada”, a “beira do abismo”, a “derradeira oportunidade”. Então vem um abatimento, o desânimo e a depressão, lugar solitário que ninguém visita dentro da alma do outro.


É uma aflição que não tem tamanho, uma vontade de despir-se de si, de “parar o trem e descer em qualquer estação”, desde que se possa sair dali para respirar



Quando alguma coisa nos faz perder as esperanças ou a última esperança de todas que já foram descartadas, o desalento pode ser um sentimento difícil de evitar. 

Alguns reagem enfurecidos, atacando tudo e todos, complicando situações já inflamadas e perdendo ainda mais. Não é sempre que expressar a raiva tem efeito revigorante embora sufocá-la também seja adoecedor. 

É aí que muita gente somatiza, ou seja, adoece fisicamente, e de certa forma a enfermidade os desvia do sofrimento original. A dor física nos induz a uma reorganização de prioridades; passamos a encarar as perdas subjetivas como abalos de menor relevância.
Quando estamos mais próximos da morte,  tendemos a dimensionar com realismo, o que é ter um desafio que realmente não depende de nós. Isso ajuda a criar coragem para enfrentar os que dependem.

Deprimir, pode vir a ser uma forma de "fechar para balanço" e sair fortalecido, depois. Mas algumas pessoas se posicionam diante de um dilema como crianças assustadas e não conseguem se mover. São como um motorista querendo acelerar, com o freio de mão puxado. Ficam tentando adivinhar o melhor resultado ao invés de partir para a luta.

"O  futuro a Deus pertence", diz o dito popular. É preciso escolher um caminho e sair andando. Alguma coisa sempre acontece para nos tirar do atoleiro.  

Diante de algumas perdas há quem se sinta vítima de uma perseguição invisível. E ao se considerar injustiçado e desprezado, o homem se abandona quando mais necessita de seu próprio apoio, afasta-se daqueles que o amam e em quem poderia confiar e se distancia de suas práticas de fé, quando mais precisa de força e proteção. 

Há os se recolhem em autocomiseração, isolando-se com seus pensamentos sombrios, facilitando o acesso das sugestões autodestrutivas. Muitas vezes emitem avisos sutis:
“Queria sumir”, “acabou tudo”, “acho que para mim chega”..., sinais de intenções suicidas, jogados no cotidiano. 

O desalento pode ser um momento em que o sofrimento já não dói tanto quanto antes, um tipo de anestesia emocional. E é quando a pessoa perde o medo de morte, ou melhor, da dor da morrer. 

O suicídio é uma das tantas realidades cuja existência negamos. É por esse motivo que não percebemos seus “recados”, deixados bem debaixo do nosso nariz. 

O momento limite no qual alguém “perde as esperanças” é um ponto totalmente particular. Cada pessoa tem uma “reserva de energia”, um nível de tolerância à frustração, uma potencial capacidade de superação.

 Vai depender dos desafios que precisou enfrentar pela vida afora, do equilíbrio entre o afeto recebido e as exigências familiares e do nível de autonomia que foi capaz de alcançar.Também está ligado à saúde do organismo como um todo e à genética.

 Por tudo isso não há como julgar ou prever a reação de alguém diante de uma situação fronteiriça. 

É imperativo conhecer-se melhor. 
Com o autoconhecimento vem a consciência das potencialidades e o entendimento dos limites de cada um.

 Mesmo assim, por vezes a desolação fala mais alto e é preciso ser honesto o bastante para reconhecer a hora de procurar ajuda profissional.

Sobretudo, procure compartilhar tanto vitórias quanto derrotas. 

As pessoas tem medo da inveja e as consequentes “maldades” que os possam atingir. Mas é a cultura da imagem que cria as distorções, principalmente para os que estão sofrendo. 

Ao democratizarmos as conquistas, estamos alimentando no outro a confiança de que pode acontecer com ele, de que é possível.
 Quanto aos fracassos, podem ajudar alguém a não ficar imaginando que todos são perfeitos e afortunados, menos ele. 

Precisamos voltar a nos interessar pela vida das pessoas à nossa volta, para que a realidade das relações humanas não se limite a um “salve-se quem puder”. 

Somos semelhantes, porém não somos iguais, mas é sempre bom quando reconhecemos a humanidade comum a todos nós.
 Isso reforça os elos e com eles a solidariedade, antídoto contra o abandono, a solidão e o desalento.


Maria Teresa Reginato – Psicóloga
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

... APENAS SER


Se levarmos em consideração não só o conteúdo, mas o significado dos desejos mais comuns de um ser humano, verificamos que todos nós aspiramos por uma única coisa, PAZ
.
 Isso acontece quando almejamos uma condição financeira que nos traga conforto e segurança ou se buscamos fama e sucesso.  Desejamos saúde para nós e nossos queridos, procuramos estabilidade nas relações amorosas No fundo estamos tentando aplacar uma ânsia, cuja inquietação que não nos permite viver em paz.

Por vezes percorremos caminhos intrincados na busca dessa “saciedade” e acreditamos que, ao atingir algum patamar que elegemos segundo nossas crenças, experiências e valores, alcançaremos aquela tão sonhada tranqüilidade. E é comum, que ao atingirmos tais parâmetros, alguma ou bastante felicidade nos acalente, mas nem sempre resulta em paz.  Momentos sonhados muitas vezes revertem em frustração e a satisfação rapidamente se esvazia, gerando mais ansiedade. 


Segundo o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz, no livro O Sutil Desequilíbrio do Estresse, Ed. Gaia, a ciência concluiu que a felicidade é um estado basal característico de cada pessoa. Mesmo aquelas que passaram por significativos episódios de felicidade ou infortúnio, tendem a voltar ao mesmo nível de felicidade que tinham antes, no prazo aproximado de um ano. A felicidade é, portanto, um estado fugas que se esvai como água entre os dedos, muitas vezes mais rápido do que possamos sorvê-la.
 Então, talvez não seja realmente a felicidade que nos faça felizes, embora essa pareça uma afirmação insana.

Contudo, o que poderá preencher essa insaciável ânsia de ser feliz?
Quem sabe a paz o faça, porque ela é nutridora, criando inclusive. “reservas de energia” para os momentos de infelicidade. Pessoas serenas costumam ser mais fortes na hora enfrentar problemas, recuperam-se mais depressa e sempre tiram alguma lição positiva dos infortúnios, todo mundo sabe disso.

E o melhor é que a paz não supõe necessariamente ir a algum lugar, conquistar algo ou vir a ser alguém.
Se basearmos nossa felicidade na roda viva que é a vida ao nosso redor, vamos viver sempre inseguros. Como diz o Livro das Mutações, “Tudo sofre mutação; a única coisa que não muda é a mutação”. Logo, não pode haver segurança na impermanência, não a segurança que entendemos como felicidade, uma vida arrumada e fixa como vitrine de loja.

Então, afinal das contas, do que depende a paz exatamente? 


Segundo o Dr. Sérgio, “pessoas com melhores índices de bem estar subjetivo são aquelas que têm boa aceitação da realidade tal como ela se apresenta, as que têm um objetivo de vida e um bom grau de autoconhecimento”.
 Ou seja, a paz depende de uma relação harmônica entre nossa subjetividade e a realidade à nossa volta.

Sempre que subo a serra em direção à minha casa, em Atibaia, deparo-me com a vegetação exuberante que ocupa cada centímetro do caminho, em múltiplos tons de verde, numa explosão de vida por toda a parte. Não posso deixar de pensar que se todas essas plantas, do minúsculo broto à árvore mais frondosa, fossem pessoas, de certo seria uma multidão agitada e barulhenta, ansiosa pela aglomeração e pela falta de espaço para movimento. 
Mas o reino vegetal se assenta, vivendo sua natureza e cumprindo sua função, silenciosamente existindo, sem ir a lugar nenhum e sendo tudo o que pode ser. É por esse motivo que a natureza nos acalma. É vida sendo vivida sem ansiedade, cumprindo ativa e pacificamente seu destino, do começo ao fim.
 É vida existindo no aqui e agora, independente do ontem ou do amanhã.

Sim, eu sei, somos dotados de pernas, mãos e sonhos, e uma mente que pode ir a qualquer lugar mesmo quando o corpo não vai a lugar algum. Nossa constituição é muito mais complexa do que a de uma árvore, mas isso não quer dizer que temos que viver em frenético movimento de busca, para fazermos jus a essa natureza. 
Se um veículo possui um motor que comporta uma determinada velocidade limite, não quer dizer que precisamos usá-lo sempre nesse limite.


 O que temos em potencial é bastante valioso e fala-se muito, hoje em dia, em aproveitar nossas competências. Mas talvez o excesso disso esteja nos envenenando de ansiedade, o que não só não ajuda em nada, como nos obriga a viver no limite.

Às vezes também é bom ficar no lugar que já conquistamos, 
ser quem somos, 
existir e deixar a vida existir nas outras pessoas.

A paz pode estar no topo de uma montanha, após uma escalada vigorosa mas também reside no sopé, onde existe sombra, água fresca e segurança.

A paz está nos intervalos entre os pensamentos, quando o vazio leva à plenitude, afirmam os meditadores.

A paz pode estar aí, ou melhor, aqui e agora, 
inclusive nessa pequena parada que você fez ao ler esse texto,
 como silenciosa árvore recebendo uma chuva fina, logo pela manhã.

Paz não é algo para ser procurado.
Ela é que nos encontra,
 se pararmos um pouco para que nos alcance.


                                                          
 Maria Teresa Reginato - Psicóloga
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O AMOR NOSSO DE CADA DIA

A chama do Velho Ano se apaga rapidamente.
Lembranças e sonhos constroem um mosaico 
de imagens que parecem reais.
Todavia, existe mesmo um saldo real no presente?
Algo foi construído no passar de dias tão iguais?


O que permanece é o AMOR que nos permitimos,
amor sem garantias de restituição.
Amor a todo instante assumido,
amor amigo, amor romântico, amor irmão.

Amor ao sonho, amor à causa, amor ao chão,
amor à vida escolhida ou 
a escolha de amar seu quinhão.

O que pode ser mais compensador 
do que o AMOR vivido no tempo certo,
como urgente necessidade 
satisfeita a céu aberto?

Se você teve chance e se permitiu amar, 
pôde viver momentos abençoados.
Se não amou, nem sequer se amou, 
deve ter dado a alguém 
a chance de tê-lo amado.

É bom servir de oportunidade
para quem precisa aprender 
sobre amor desinteressado.

Portanto...
finalize o ano AGRADECENDO 
à FORÇA que o amou
incondicionalmente, 
para você continuar aprendendo.

Feliz 2012 
                                              Maria Teresa Reginato








                                                          

sábado, 2 de julho de 2011

QUANDO OS FILHOS SE TORNAM NOSSOS MESTRES

Lembro-me de abrir sorrateiramente seus armários e gavetas para espiar. Não procurava deslizes escondidos mas talentos escondidos. Quando encontrava alguma originalidade, um tipo de dobra ou arrumação diferente, desenhos, coisas que eu mesma nunca guardaria em gavetas, outras que sequer guardaria, pensava...
- Onde será que eles aprenderam isso, comigo é que não foi. Mas não se tratava de me aborrecer porque “subvertiam minha ordem”, precária ordem, diga-se de passagem.
Constatava feliz cada vez que os descobria pessoas, autênticos e originais indivíduos construindo uma realidade a seu modo.



Gostava de sabê-los independentes de mim, em corpo e pensamento, na forma e no conteúdo de suas almas tão extraordinárias.
Sempre desejei meus filhos livres, o que nunca significou livres de mim mas comigo. Nunca esperei vê-los crescer à minha imagem e semelhança, não porque fosse baixa minha autoconsideração. Pretendia que existissem, no máximo possível, fiéis à essência com a qual Deus os tinha presenteado.
Em muitos momentos pude sentir a força da pressão social a me inundar de culpa por algum tipo de abandono,


mas era uma onda que eu rechaçava.



Sempre acreditei na liberdade, no direito aos sonhos, às escolhas e aos tropeços. Então, pretendia, com insistência, tornar possível que eles pudessem ser ELES MESMOS.
Esses meninos, “filhos da ânsia da vida por si mesma” (verso que eu repetia como prece quando me sentia perdida ou insegura)... são hoje seres VITORIOSOS e não estou falando de vitórias convencionais, se bem que as tenham tido em vários momentos.
Eles venceram e vencem todos os dias a batalha pela essência, combate árduo por extrair somente o que há de mais puro, dentro deles. Pagam um preço em lágrimas de sangue, muitas vezes, mas extraem o sumo de uma vida verdadeiramente especial.
Nunca um dia é igual ao outro, quando se trata de meus filhos. Mas todos os momentos são de aprendizado para essa mãe que ainda os espiona e admira cheia de gratidão por ter-lhes emprestado o ventre e o coração.
É dessa forma que sei amá-los, beirando a devoção.



Que Deus os ampare na sua total singularidade.
Quero-os inteiros, feitos à Sua Imagem e Semelhança,


para que eu continue a ser premiada com Suas Lições Valiosas.



Maria Teresa Reginato - Psicóloga
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

AMAR NÃO É PARA QUEM GOSTA, É PARA QUEM QUER



Namorar... quem não gosta de namorar? Aquele friozinho na barriga, uma razão para acordar mais cedo e ficar grudada no celular, perder o apetite, ter motivação para fazer ginástica, saber que o final de semana está “garantido” e de quebra... beijo na boca, muito carinho e sexo.Em qualquer idade namorar rejuvenesce, motiva, traz alegria de viver. Bem, isso quase sempre nos três meses iniciais ou um pouquinho mais. E depois??? Queixas, cobranças, brigas, lágrimas, decepção.Você provavelmente sabe bem do que estou falando, o príncipe encantado vira sapo e a princesa se transforma numa bruxa.

É preciso entender que atração e amor são coisas muito diferentes. O que atrai tem apenas a função de aproximar. A afinidade tem raízes mais profundas e é nela que o amor se fundamenta.
Temos uma tendência a acreditar que devemos procurar uma pessoa que goste das mesmas coisas que nós, mas esse é um critério superficial. Uma boa parte das coisas que gostamos é circunstancial, tem a ver com momentos ou fases e não necessariamente vai permanecer. A questão da afinidade é mais complexa. Implica, em grande parte, no autoconhecimento. Se você reconhece o que lhe é essencial para viver bem, também será capaz de definir o que deseja de alguém como parceria de vida.

Quando conhecemos uma pessoa, sentimo-nos atraídos por alguns aspectos que se assemelham a coisas que gostamos e imaginamos muitas outras similaridades a partir daquelas que nos atraíram. Pode-se dizer que completamos o que falta, ou seja, o que não conhecemos, com fantasias criadas pelo desejo de encontrar a pessoa ideal. Dessa forma nos iludimos, criando “miragens” sobre quem a pessoa é e mais tarde desiludimos, a fantasia desaparece quando a realidade se mostra, confrontando o ideal.

O que estou tentando dizer é que, embora nos sintamos atraídos por alguém e encontremos nesse alguém alguns pontos em comum, conhecê-lo demandará tempo e disposição em aceitar o que é real. Para isso existe o namoro, fase que se tornou bastante confusa nos últimos tempos. O sexo precoce quase sempre antecipa situações, as pessoas conversam menos embora até fiquem mais tempo juntas do que antes.
É comum que os casais venham a morar juntos mais depressa e o namoro vira casamento sem ter sido antes, momento de descobrir afinidades.
Os parceiros pedem “garantias” para comprometer-se numa relação duradoura, mas a única promessa que podemos fazer é a de que nos esforçaremos para entendê-lo e de que procuraremos ser transparentes na relação.

Amar leva o tempo de desvendar aquele que está à nossa frente.
Não sabemos se as afinidades serão suficientes para dar conta das diferenças. Além do mais, uma relação que “deu certo” não necessariamente dará certo para sempre, pois a vida é muito menos previsível do que gostaríamos que fosse. Quando os pares agem com honestidade e conseguem definir as próprias regras, podem moldar cada fase às necessidades individuais que vão surgindo. Nesse sentido, tem mais chance de serem bem sucedidos, acordos baseados naquilo que ambos sejam capazes de sustentar e não no que se idealiza.

Se você deseja que isso aconteça em sua vida precisa namorar mais, mostrar-se mais, superar o medo da rejeição e aceitar o risco de arranhar sua imagem, pois imagem é somente um reflexo do que realmente somos. O essencial a seu respeito é que precisa ser evidenciado para que você se sinta amado pelo que realmente é.

Como foi dito no filme Dança Comigo.
“Com bilhões de pessoas no planeta o que uma vida significa?
Precisamos de uma testemunha para nossas vidas”, diz a personagem.
É por esse motivo que nos sentimos tão especiais quando somos amados. Porque estamos diante de alguém que sublinha a nossa existência, que reconhece as mais íntimas particularidades dela e as acolhe com todo o seu coração. O Ser Amado torna-se um espelho e um apoio, pois nos coloca em um lugar que nos distingue dentro de um mundo totalmente impessoal.
Diante dele somos únicos porque o olhar dele nos destacou da multidão.
E tem mais, fazer alguém sentir-se dessa forma, ou seja, AMAR, é tão ou mais gratificante do que ser especial.
É tomar posse de um PODER que traz uma profunda felicidade, a gratificação de fazer alguém feliz.

Maria Teresa Reginato – Psicóloga
CRP 17927

segunda-feira, 18 de abril de 2011

NOSSO FILHO PRECISA DE AJUDA?



Em tempos de tragédia, aprofundam-se as reflexões sobre como estamos tratando nossa preciosa existência. Quando se trata de crianças, não há como não sermos especialmente tocados. É impossível não refletir sobre o modo como estamos criando nossos filhos. Mas queiramos ou não, a vida moderna impõe distâncias e não é fácil ter um controle eficiente sobre os rumos de uma família.

O animal humano é o que mais tempo fica sob a dependência de adultos e isso não é por acaso. Suas necessidades são bastante sofisticadas, por vezes sutis demais para serem reparadas de maneira superficial. Os pais têm por dever observar e pesquisar aspectos particulares da natureza de seu filho. O melhor é não pensar em termos de estereótipo. A grosso modo, não existem temperamentos melhores ou piores, mas sim a personalidade, que se desenvolve no meio em que vive.

Quando se observa atentamente uma criança, é possível notar seus traços mais marcantes e a mãe é a primeira a ter esse contato. Não é difícil perceber características como “impaciência” ou “ansiedade” ao mamar, “preguiça” ou morosidade ao sugar o leite, choro fácil diante de qualquer frustração, riso aberto para pessoas de fora ou estranhamento, reações a barulhos, cores, texturas, temperaturas, sabores, predileção por brincar sozinho ou acompanhado, apreensão nas situações novas, introversão ou extroversão predominante, inseguranças, reações diante de desafios como brigas, exposição, competição.

Cuidar tem muito a ver com conhecer a criança e orientá-la no que ela necessita de condução.

As aptidões devem ser aprimoradas

e as dificuldades apoiadas.

Quando a família acompanha esse desenvolvimento tem chance de perceber mais precocemente algum traço desfavorável que se insinua ou qualquer mudança significativa com ou sem causa aparente. A criança pode, consciente ou inconscientemente, preferir não se queixar porque, de maneira geral, os pais modernos estão sempre muito ocupados com a sobrevivência, carreira e seus próprios problemas. Ela tentará encobrir seus medos e dificuldades com uma atitude de “desligamento”. Por isso, vídeo games e computadores oferecem a oportunidade ideal de “fuga”, o que já foi papel da televisão. Também poderá mostrar-se irritadiça e reagir com imprevisibilidade.

De qualquer forma, espera-se que uma criança “normal” tenha queixas, apresente alguns temores, resista à educação algumas vezes e tenha certa atração pelo proibido. Quando nada disso acontece, é preciso ficar mais atento aos disfarces que ela pode vir a construir. O velho hábito de contar histórias ou rezar antes de dormir e ter aquela “conversinha despretensiosa” pode resgatar o momento de “sondar” o filho. Envolvê-lo em alguma atividade colaborativa como esticar o lençol ou secar a louça favorece conversas informais. Quando há mais de um filho, sair com eles separadamente oportuniza confidências.

Estejam atentos a mudanças repentinas de hábitos e/ou humor e investiguem periodicamente com professores e babás seu comportamento. Desenhos feitos por seus filhos também são uma rica fonte de informação, mesmo o leigo será capaz de perceber a presença de angústia, tristeza ou agressividade nas cores e traços. Diante de uma pergunta inesperada, questione porque ele deseja saber aquilo ou onde ouviu falar no assunto, de preferência antes de responder. A maioria dos pais anseia em dar respostas. No entanto, muitas vezes é mais importante saber de onde está vindo aquele questionamento; talvez seja uma forma que a criança encontrou de contar algo, de sondar os pais ao invés de ir direto ao assunto.

Ouvir e perguntar são atitudes fundamentais porque ensinam a refletir,

o que não acontece com as respostas prontas.

Além do mais, quando se trata de assuntos delicados como abuso sexual ou moral, medos e inseguranças, a criança pode ter sentimentos ambíguos com relação a pedir o apoio dos pais, por medo de decepcioná-los, criar algum mal entendido ou receber repreensão.

É sempre bom que os pais com filhos em faixas etárias semelhantes troquem observações e experiência mas todos deveriam estar comprometidos com o cuidado de todos, a exemplo das tribos indígenas.

Seu filho precisa saber que você está presente, pode ser solicitado/a e que está tranquilamente disponível. Pais que tendem a ficar “desesperados” com pequenos incidentes levam os filhos a buscar ajuda de terceiros, nem sempre sensatos ou confiáveis. Antes de ofender-se com alguma crítica mantenha a cabeça aberta, às vezes pessoas de fora têm mais facilidade em ver os aspectos inadequados que tentamos negar. No mais, o casal deve manter um diálogo franco sobre as qualidades e os defeitos dos filhos e acordar estratégias para abordá-los. Pais separados também podem se ajudar, substituindo acusações pela busca de soluções. Dispense o preconceito com o Psicólogo e o Psiquiatra Infantil. Esses especialistas podem ser de grande ajuda nas suas dúvidas, além do Pediatra.


Maria Teresa Reginato - Psicóloga
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domingo, 3 de abril de 2011

FRUSTRAÇÃO TAMBÉM DEPRIME

Viver não é uma tarefa fácil. Exige muitas atribuições e responsabilidades, pouca ou quase nenhuma diversão, satisfação limitada pelos meios de consumo, prazer restrito ou colocado em gratificações efêmeras. E isso não é prerrogativa de adultos. Crianças, desde cedo são submetidas a um excesso de informação e altas expectativas de desempenho, de maneira que chega a ser quase pecaminoso almejar uma vida comum. A ambição, identificada como necessidade de ascensão, é vista como sinal de vitalidade, o que não seria um grande problema se o oposto, querer uma vida simples, não trouxesse consigo um tom de desvalia a quem deseja viver assim.
Nessa perspectiva, querer “apenas” SER não basta. Hoje, a realização pessoal tende a ser interpretada como um padrão de tolos e imaturos. No lugar dela está a realização social. Crianças e jovens aprendem a desejar o que o mercado consome e não o que suas almas aspiram. Alguns, que por sorte acertam nessa loteria de valores, não são exatamente realizados no que se refere à sua vocação, mas relativamente felizes com os resultados do que aprendem e conquistam enquanto trilham suas metas. Outros nem isso, mas podem obter alguma satisfação no consumo, quando os rendimentos compensam, mas é a minoria. Uma parcela razoável dos adultos de nossa sociedade está frustrada, vivendo de subempregos, álcool, drogas e antidepressivos.

É preciso salientar que remédios não tratam a frustração, embora sejam inúmeras as situações em que seu uso pode atenuar circunstancias problemáticas como desemprego, divórcio, doença ou outros tipos de perda. A solução para o estado depressivo que se instala quando alguém não se satizfaz com o que a vida lhe trouxe ou com suas conquistas, é a reflexão sobre as reais necessidades do seu íntimo. Muitas pessoas nem sabem o que as faria realizadas porque não se conhecem o suficiente para entender o que as nutriria de uma forma mais efetiva. A felicidade duradoura está ligada a um autoconhecimento, já que somos seres únicos, com capacidades e recursos próprios, para satisfazer-se e cumprir o seu melhor no mundo.

A originalidade de cada um pode ser encontrada em uma busca pessoal e através dela, uma forma toda própria de fazer a vida acontecer. Desse ponto de vista, maquiar a frustração não vai ajudar nesse enfrentamento. Portanto não menospreze a insatisfação; existe uma grande probabilidade de ser uma manifestação de sua ESSÊNCIA, gritando e implorando por respeito e consideração. O fato de termos aprendido a compensar as frustrações com soluções artificiais pode nos levar à falsa idéia de que nada nos satisfaz, porque compensações não satisfazem mesmo, não de uma forma duradoura. Quase nada do que estamos acostumados a lançar mão para combater a insatisfação, vai realmente nos preencher. A verdade é que não há como livrar-se desse incômodo, quando a frustração existencial é à base dessa reação.

A pergunta não deve ser:

O que me falta

e sim,

EU PRECISO DE QUE?

Muitas coisas hão de faltar em nossa vida e precisamos aprender a lidar com isso. Mas quando a existência é direcionada para aspirações mais profundas, focando aquilo que acalenta e nutre quem verdadeiramente somos, sempre haverá energia de reserva para superar as frustrações mais superficiais. Fique atento, não se contente em ser o que esperam que você seja. Esperneie, debata-se, solte-se das expectativas alheias, você é o único que pode saber o que realmente alimenta seu desejo de viver, já que somente deseja viver aquele que vive sua integralidade.

Maria Teresa Reginato – Psicóloga – CRP 17927

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